Todo mundo percebe quando alguém está lendo. O que entrega quase nunca são os olhos — é o ritmo. A fala tem um andamento desigual: você desacelera no que importa, acelera no que é familiar e para de vez quando muda de assunto. Um roteiro rolando a velocidade fixa elimina tudo isso, e o resultado soa decorado mesmo quando a apresentação é boa.
A solução é fazer o roteiro seguir você, e não o contrário. Com o acompanhamento por voz, o texto avança na velocidade em que você fala — dá para desacelerar de propósito sem ficar para trás e pausar o quanto quiser sem que as palavras fujam.
Duas coisas práticas além disso. Escreva o roteiro do jeito que você fala: frases curtas, linguagem do dia a dia e nenhuma oração que precise de segunda leitura. E deixe o texto grande o bastante para ler uma frase de relance em vez de ir palavra por palavra — o movimento dos olhos é o que aparece, e texto maior significa menos movimento.
